A ilha do lixo

 

H á cinco atrás anos passei em Oeiras, um dos concelhos mais limpos do país, e vi que os contentores coletivos de lixo cheiravam a perfume. Na altura ri-me mas depois um colega explicou-me que a Autarquia lavava e desinfetava os contentores periodicamente e que se alguém fosse apanhado a deitar o que não devia nos contentores era multado.

Voltei à minha ilha plenamente convicto que, mais tarde ou mais cedo, a Madeira teria os seus contentores perfumados e que mostraríamos ao País que seriamos a Ilha mais limpa de Portugal.

Enganei-me e cinco anos depois apercebi-me que as pessoas continuam a despejar tudo o que não querem em casa nos contentores, e se estes estiverem cheios, espalham por fora. Dei comigo a pensar se seria apenas uma questão de educação, cultura ou de uma política ambiental errada.

Mais tarde percebi que os madeirenses continuam a não estarem educados para a separação seletiva do lixo porque, além de não se sentirem obrigados a isso, dá muito trabalho e não encontram vantagens. Na verdade, ninguém vai comprar contentores para a separação de resíduos porque isso é deitar dinheiro fora que dá para uns copos.

Depois de Miguel Gouveia ter perdido as eleições podemos acusa-lo de quase tudo! De não ser um político! De ter mau feitio! De não ter visão eleitoralista e ter deixado as obras que enchem os olhos do eleitor para o fim! De ter gerido a câmara com pormenores esquecendo-se que, o vulgar cidadão, quer mudanças na cidade que se vejam. Sinceramente, Miguel Gouveia não fez tudo mal e um dos exemplos do bom que tentou fazer foi o programa da Recolha Seletiva do lixo do Município do Funchal que, na realidade, correu mal por erros de estratégia.

A campanha de entrega de contentores (1 papelão de 120 litros + 1 vidrão de 120 litros + 1 embalão de 120 litros), por moradia, às famílias mais desfavorecidas passou ao lado da maioria dos funchalenses porque acharam que isso era mais uma idiotice dos ambientalistas e que não estavam para fazer o trabalho do Município.

É por tudo isto que sou apologista de uma Polícia Municipal que, entre as diversas competências, fiscalize os infratores. O maior problema é os municípios não quererem fazer o papel de maus da fita, multando os indigentes para não perder votos mas estou convicto de que, se começarem agora, quatro anos serão suficientes para o eleitorado se aperceber das vantagens para todos em ter uma Ilha que seja exemplo para o mundo e os partidos ganharão mais votos, que o diga Isaltino Morais que continua a ganhar em Oeiras.

Aos Municípios da Madeira e à ARM cabe criar incentivos à recolha seletiva dos cidadãos, o verdadeiro problema é que ninguém quer pagar os contentores porque acha que um saco de plástico do supermercado é suficiente para jogar o lixo fora de casa.

O primeiro passo será distribuir gratuitamente os referidos contentores pelas habitações unifamiliares, incentivando os cumpridores com uma redução da Tarifa de Resíduos Sólidos, o segundo passo será uma campanha de marketing eficaz, e o terceiro passo autuar sem piedade os incumpridores.

Sejamos honestos! Se não existisse a malvada Polícia e as multas ninguém parava nos semáforos e conduzíamos a 200 à hora pela faixa da esquerda. 

Não nos esqueçamos que a Europa do dinheiro exige “a recolha seletiva à porta de todas as casas” até ao ano de 2023, por isso é bom começarmos já, cabe a cada um nós decidirmos se continuamos a ser os broncos da ilha do lixo!

Enviado por Denúncia Anónima
Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021
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