Madeira Leaks



A informação circula nos fóruns secretos da Deep Web. Segundo consta alguém vazou a Base de Dados de uma empresa de serviços que opera no Centro Internacional de Negócios da Madeira e sacou informações consideradas sigilosas.

Pelo que se sabe o alegado ataque de Hackers aos servidores ocorreu há mais de 3 meses por uma backdoor nos serviços da rede da empresa, quando esta a tinha a maioria dos seus funcionários em teletrabalho em casa.

Neste tipo de ataque, os Hackers entram nos sistemas em modo Hidden sem se fazerem anunciados, ficando dias, semanas, e até meses, escondidos dentro dos servidores a analisar o tráfego e a recolher dados de utilizadores, palavras-passes e ficheiros. O truque mais comum é executar simples scripts em background com nomes de serviços conhecidos para não levantar suspeitas que se limitam apenas intersectar dados de transações e a escreve-los sequencialmente em ficheiros encriptados escondidos nos servidores.

Segundo o nosso interlocutor, são mais de 2430 ficheiros com informações de transações financeiras suspeitas que colocam em causa muita gente considerada até à data idónea. Segundo os dados de um dos ficheiros que nos foram enviados como prova, o nome de sociedades, contas, e contactos ligados a diversos quadrantes políticos e ao tecido empresarial madeirense  aparecem no ficheiro.

Segundo o que corre nos Dark chats, já existem diversas investigações em curso para descobrir a identidade de alguns nomes codificados oriundos de sociedades unipessoais com contas nas ilhas Ilhas Cayman, Hong Kong, Luxemburgo, Madeira, e Malta, com ligações à Venezuela, África do Sul, e Brasil através de Sociedades Financeiras e de Bancos com ligações a Portugal.

O ficheiro PDF, a que tivemos acesso, não traz qualquer rasto digital pelo que não foi possível verificar a sua autenticidade, mas o nosso interlocutor garante que foi extraído de um programa de contabilidade de uma das empresas de serviços que operam na Madeira.

De acordo com o nosso interlocutor o número de empresas na Madeira com segurança informática negligente é assustador, sendo relativamente fácil entrar nos sistemas sem ninguém se aperceber.

Segundo a Lei 109/2009, o acesso ilegítimo a um sistema informático é crime punível até 5 anos de prisão e a sua utilização recorrente tem gerado confrontos com o Código Penal e diversas jurisprudências porque pode ser considerado um meio ilícito de obtenção de prova. No fundo, a questão é se se pode combater o crime com outro crime.

A presunção de inocência é um princípio jurídico em que, em sede de Constitucional, todos se presumem inocentes até trânsito em julgado da sentença de condenação, e assim sendo, não revelamos nomes, nem números, visto não existir indícios seguros que provem inequivocamente os crimes.

Cabe às entidades responsáveis pela investigação criminal apurar a verdade, quer queiram quer não, e doa a quem doer. Este pântano está mau para quem pratica crimes e para quem fecha os olhos, por este andar, um dia o Estado de Direito cai por ser incapaz de proteger os seus cidadãos da voracidade, sobretudo financeira, de empresários, especuladores e políticos.

Enviado por Denúncia Anónima
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020 11:57
Todos os elementos enviados pelo autor.