A Madeira sempre a um passo da catástrofe



S ou leitor do CM, e pela franqueza que muitas situações são abordadas juntam-se a outras observações que tenho vindo a fazer, a título pessoal, quero partilhar, vou tentar fazer um resumo, espero que não fique grande porque a barraca é muita.

Na serra andam a criar vários corta-fogo mas os "regos" são para levar a água com mais detritos para as ribeiras. As plantações não vingam porque não se rega. A facturação é que não falha. Se somarmos isto ao facto dos incêndios terem criado condições que potenciam deslizamentos e aluviões ... estamos falados sobre as "obras" que andam lá por cima com a nossa Heidi.

As ribeiras ao não serem limpas da sua vegetação, são rastilhos que entram por áreas urbanizadas, se um incêndio vier da serra já bastam as encostas, como já vimos. Entretanto, as pragas que metemos na ilha, escaravelhos, osgas, nemátodo dão frutos. As agressões feitas e projectadas à Laurissilva, a mudança climática e a maior secura que vai meter mais vegetação em stress e torná-la mais vulnerável a pragas, conta com um "observatório da paisagem". Se a secretária não estremeceu com o seu poço de petróleo durante 15 anos não vai ser agora que vai estremecer com um quadro negro ... fico-me por aqui.

O mar sobe até ao Mercado dos Lavradores e a meia secção da rua 5 de Outubro/ 31 de Janeiro abaixo do Bazar do Povo. Água salgada para as fundações dos edifícios, bárbaro. Paralelamente, há muito que uma gigantesca massa rochosa ameaça desprender-se do vulcão Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, e cair no mar. Quando isso acontecer, uma gigantesca onda (tsunami) atravessará todo o Atlântico e a Madeira está a caminho de ser a primeira em breves minutos. Alguém leva a sério? Claro que sim, com as ribeiras levando o mar até ao mercado.

O Cais 8 manda a ondulação para dentro da Pontinha e torna as manobras dos navios perigosa com alguma ondulação. Mesmo atracados, os navios balançam e partem cabos. Andam a mudar os cabeços de amarração para os navios não continuarem a arrancar os antigos mas, a tensão da ondulação ninguém retira. Os antigos que construíram a Pontinha pararam por ali, porque dali para a frente é arriscado, naquele tempo pensaram numa segunda Pontinha por fora da primeira. Ninguém pega num malho e destrói o Cais 8, era muita vergonha e mais um marco como a Marina do Lugar de Baixo.

Os camiões andam com gás natural na Via Rápida e ontem vimos uma boa apresentação do "barril de pólvora" que é o Porto do Caniçal. Preteriu-se os navios cisternas, mais seguros, para andar com "a carga pronta metida nos contentores" ... adeus aos meus amores que me vou!

Os ventos continuam a ameaçar a aviação no nosso aeroporto, em plena crise pandémica, já enviou aviões para trás porque não há Plano de Contingência sério, antes e depois do Covid, e nenhum grande avião pode contar com o Porto Santo, vão para as Canárias. O cimento da cabeceira da pista do lado de Santa Cruz está com o ferro todo à vista, alguém está a monitorizar o lado de Machico? É que vendo a deterioração do parque por baixo do aeroporto ficamos a pensar nas fundações, que não se vê, atendendo ao mau trabalho feito na cabeceira do lado de Santa Cruz. Manter é importante para não haver mais uma monumental dívida, já andamos de cócoras.

 As nossas ribeiras são de atentados atrás de atentados, todas cimentadas a produzir a aceleração das águas. Um obstáculo, uma curva, parecerão os canhões de água contra manifestantes ... para pior.  As margens são furtadas das suas pedras e fica a terra, ai o mar aguenta, aguenta. Acima da parte urbanizada da Ribeira de São João montaram pedras, sem qualquer cimento, para delimitar a ribeira, um horror após os crivos de retenção de inertes. Não sendo suficiente, agora levam as pedras (reparem que não disse furtadas para não ofender) e deixam a terra que vai ser segurada por vegetação ... que há-de crescer e enraizar. Entretanto Nossa Senhora zela por nós, estes engenheiros parecem aselhas de crucifixo no carro. Os túneis falsos "hiper-potentes", "brutais" segundo o ex-secretário, em vez de acompanhar o declive para enviar as pedras para as ribeiras, praias inacessíveis, terrenos com áreas de segurança, têm a ideia peregrina de meter uma brutal carga de cimento para facturar e aguentar um impacto de pedras com pneus. 

Um pilar da via rápida, na zona oeste, mexeu-se, ninguém faz nada, esperam que pare por ali. Andamos com pequenos sismos, ninguém tem urgência em estudar para perceber o que é e o que nos espera, porque não somos propriamente os Açores, nem acostumados nem a construir. Precisamos de saber o que se passa e a provável magnitude.

Temos um Governo incompetente a fazer política, a Saúde Pública começa a ser inexistente e não aparece depois do Covid, andam todos preocupados com o umbigo e o tacho, ninguém governa e querem levar o "seu" para casa. Com tanta coisa importante para tratar, para além de mais uma crise aguda que nos vai atingir, onde andam os seres pensantes? A vasculhar a vida de toda gente com as casas do povo que faz a vez da segurança social?

E se estivermos num momento de calças na mão e ainda nos acontece um aluvião, um incêndio, um desastre natural ou o aparecimento de uma aldrabice nas obras ou com a corrupção? O dinheiro da Europa tem que ser bem usado, o normal e o que vem para combater a crise do Covid. Tem que haver gente de fora a fiscalizar o dinheiro, estes são ladrões a enriquecer. É preciso alguém que pense mais à frente.

Estamos bem, depois da Madeira com a barriga cheia de rali, vamos aguardar pela Festa do Avante, ainda aparecem uns camaradas infectados aí. Veremos o resultado de tudo disto, espero que as facas que se afiam não sejam usadas, apesar de tantos irresponsáveis.

Nota: tinha muitos mais pormenores mas para uma segunda feira de manhã é dose. Se ver que aceitaram bem as minhas observações ainda mando mais para o CM. E não falei da tempestade social e demográfica com o acumular de crises ... bom trabalho se ainda o tiver.

Obrigado e bom dia a todos.

Enviado por Denúncia Anónima
Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020 06:38
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