A Panaceia para Cafo


Li atentamente a denúncia “O Problema de Cafofo”. Basicamente esta denúncia sugeriu a Cafofo, a demissão da função pública de todos os detentores de cargos de dirigente (e afins acrescento eu) do Governo Regional por via legislativa. A proposta é insensível, mas cumpre com os quesitos políticos postulados por Maquiavel: as injúrias aos fortes devem ser rápidas e tão violentas que não lhes permitam se vingar; deve-se ter apoiantes indefectíveis; deve-se apoiar os fracos e destronar os fortes. Em face do exposto, em termos políticos não é tão absurda como parece à primeira vista. Dediquei-me a analisá-la. Os efeitos prováveis de semelhante promessa são:
  1. Instituição de Nós (pata rapadas) contra Renovação (tachistas corruptos);
  2. Quem critica Cafôfo é apoiante dos corruptos;
  3. Muitos pensarão que Cafôfo é mesmo contra o PSD (depois do descalabro dos elogios a Alberto João);
  4. Muitos pensarão que com Cafôfo terão hipótese de ingressar na função pública; outros pensarão que poderão obter um cargo. Uns e outros o apoiarão e nele votarão perante tão saboroso mel à vista. Os votos dos tachistas estão perdidos de qualquer forma, pelo que nenhum efeito prejudicial será sentido. Caso a promessa seja concretizada: • Haverá cargos com os quais premiar o mérito. Como é que Cafôfo tenciona premiar o mérito se não for através de um aumento de remuneração? Haverá alguém que se arrisque a ter mérito sofrendo o risco de ser perseguido pelos seus chefes (devido ao receio destes perderem o cargo para o do mérito)?
  • Haverá funcionários a admitir… para contrabalançar o coração laranja deste governo regional.
  • Terá um inimigo que poderá culpar de tudo: os tachistas corruptos que demitiu; eles sabem das ilegalidades e problemas pois foram eles que as/os criaram. Esta conversa é bem melhor que culpar anteriores governações ou inimigos externos.
  • Esses dirigentes deixarão de ter recursos pelo que não o poderão combater. Caso continuem com um emprego, terão recursos económicos e acesso a informação privilegiada que poderá ser utilizada para prejudicar a governação de Cafôfo.
  • Na realidade, os demitidos continuarão nas mãos do GR ao pedir subsídio de desemprego ou aposentação… os cálculos podem ser feitos de muitas maneiras… depois de se saber se o individuo vai ou não protestar.
  • Os novos dirigentes estarão conotados com Cafôfo… e por receio de represálias do PSD-M, apoiarão sempre a Oposição. Estamos a falar de técnicos superiores bem informados sobre os assuntos públicos. A vantagem dessas demissões serem por via legislativa é ser rápida. Não se perde tempo em apreciações morosas e duvidosas, não há lugar a grandes chatices nem lutas, pelo que o desgaste dos governantes (e da sua imagem) é mínimo. Eu, pessoalmente, iniciaria o processo com uma sindicância a todos os serviços do governo regional. Antes desta acabar demiti-los-ia todos por via legislativa. A conclusão dessa sindicância para todos os serviços seria o descrito nos fundamentos de demissão da função pública da Lei 35/2014. Assim, mesmo que os demitidos ganhassem em tribunal a anulação desse decreto legislativo regional (coisa que demoraria 5 a 10 anos) teriam que enfrentar as conclusões dessa sindicância (no mínimo, mais 5 a de 10 anos)… e claro como o Estado é uma “pessoa de bem” demoraria anos a pagar indemnizações… tantos como os necessários para indemnizar a funcionária dos aeroportos assediada sexualmente e despedida por não aceitar fazer favores sexuais.
Enviado por Denúncia Anónima 
Domingo, 15 de Setembro de 2019 20:08
Texto e título enviados pelo autor. Ilustração CM.
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