Esta educação e este ensino encaminha-nos para o desastre


Sou professor com alguma idade, a suficiente para lhes contar a minha experiência, aceitam-na se entenderem.

Ao longo dos anos os formandos que me chegam à profissão de ensinar tem vindo, globalmente, a piorar. Existem alguns alunos excepcionais, os bons são realmente muito bons e são um elixir para compensar o resto. Ao contrário do que parece, um professor não tem manias de ficar com as notas, é muito agradável dá-las mas é preciso ter conhecimentos para isso.

Os maus comportamentos não são só na Madeira mas, esta tem as suas particularidades.

Tudo começa a falhar quando uma comunidade pacata, com baixos níveis de escolaridade, pobre e com futuro limitado, vê o desenvolvimento a chegar. Atenção que ele não é mau, o problema é como o encaram. Se antigamente a sociedade era pobre mas nivelada e ninguém tinha a ousadia de ser mal educado, depois da chegada do tal desenvolvimento desregrado, uns começaram a ter mais do que outros. Os ricos pavoneiam-se e acham-se com mais direitos sobre os outros. Julgam até que podem perverter as regras pelo estatuto do dinheiro e assim ganhar mais sucesso. Se os metes na ordem tens caminho certo para problemas. Os país fazem, os filhos imitam, inicia-se assim o processo degradativo de um lugar que deveria ser para ensinar em pé de igualdade.

Acontece que depois entra a política que compra os país com facilitismos porque eles, governantes, sendo incompetentes, querem cair na graça da maioria, pais e alunos. Eles ficam satisfeitos e nem se dão conta que a qualidade do ensino cai, tipo moeda na Venezuela com números astronómicos sem valer nada.

Para controlar e domesticar a classe docente o governante mete areia na engrenagem. O professor é o mau da fita e tem muitas férias, é mentira, tem as mesmas férias senão menos. Somos, se calhar, a única profissão que, declaradamente, leva trabalho para casa que ninguém considera. A preparação aulas e a correcção de testes parece que caem do céu. Isto porque na escola temos burocracia em 80%, um barulho que não é ambiente para trabalhar e quem conhece, uma "azoada" que leva horas a passar. Convidava a um Governante a experimentar, dia após dia, para ver como esgota. O barulho é falta de educação de berço, assim como outras ousadias bem mais graves que a protecção da secretaria promove para comprar os pais e que as psicólogas fomentam com as suas asneiras mas, nunca metem um pé na sala para perceber alguma coisa e, se vão, querem o professor ao pé para safar se a coisa correr mal. Temos muitos teóricos e os da pratica é que são perseguidos.

Como a secretaria não cria ambiente escolar e os professores são cada vez menos respeitados, e é-lhes retirada a autoridade, os alunos que já vêm de casa sem educação (a ver os país a transgredir) trazem a cultura da cunha que acha que é melhor tê-la do que possuir conhecimentos. O deficit de atenção nasce com esta natureza e exacerbada com telemóveis, convívio extra-curriculares, jogos de fortuna e azar pela noite dentro, jogos comunitários, etc, até que se ouve falar em desacatos no Porto Santo.

Pelo mundo vamos vendo estas gerações a subir e, nada me é estranho, porque na escola sei que assim será, é o embrião disto tudo e ninguém quer entender que para um planeta melhor é preciso cuidar da qualidade dos seres nas escolas. Consequentemente surge a falta de qualidade na política porque os espertalhões gostam de manter as facilidades e a democracia empobrece, os bons emigram. Também surge na classe docente surge gente cada vez mais rasca para ensinar.

Estou muito contente por ter uma certa idade porque me iria custar muito saber disto e ver o mundo se perder. E a Madeira não fica atrás. As tecnologias não vão mudar nada disto nem vão trazer mais atenção, falta tratar das pessoas primeiro, antes que a classe docente se extinga por ter deixado de ser aliciante por qualquer prisma.

Enviado por Denúncia Anónima
Domingo, 25 de Agosto de 2019 08:11
Texto e título enviado pelo autor. Imagem CM.
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