Cartel Organizado na Saúde da RAM

Parece que afinal os profissionais da Saúde Pública são bons e os gestores péssimos !




Espanta-me a passividade dos Madeirenses, principalmente aqueles que dependem, apenas, do pouco que o Serviço Regional de Saúde lhes dispensa.

A última notícia do Diário de Notícias (DN) onde aparece a Diretora Clínica do SESARAM, E.P.E. (em jeito de justificação e passagem de responsabilidade) dizer (pasme-se!) que a última palavra, para que um doente seja enviado para o continente português para realizar um procedimento diagnóstico ou terapêutica ou ambos, cabe ao Conselho de Administração (CA) do SESARAM, E.P.E.. O CA não tem ninguém com qualquer formação em decisão clínica; este é constituído por dois gestores e um jurista que nada entendem sobre medicina e muito menos deverão ter qualquer palavra final para decidir sobre a vida de um doente. Isso cabe ao médico, ou melhor, a última palavra deverá ser da Direção Clínica (DC) sendo esta que assume a responsabilidade sobre o futuro clínico do doente caso envie/negue algum acesso clínico exterior (in)justificado.


Em manchete do mesmo DN de hoje aparece o Hospital Particular da Madeira a recrutar médicos de excelência do Serviço Público (alguns) e outros, menos capacitados, serão contratados porque fazem parte das festas do sistema. Segundo consta, os salários são bem atrativos. Numa outra página aparece a menção da venda de outras clínicas no Funchal (Santa Catarina e a Sé) para o Grupo Luz Saúde.

Desta forma, a cada dia que passa, objectiva-se o desmantelamento do Serviço de Regional de Saúde para alimento de serviços de saúde privados que são pagos por quem?

Se a esmagadora maioria dos madeirenses não têm dinheiro para pagar serviços privados, sendo que alguns (muito poucos) até têm um bom seguro de saúde- 3000 euros ano, é um bom seguro de saúde - como esses 3000 euros darão para realizar cirurgias, exames complementares de diagnóstico, internamento, etc? Impossível. Estes privados subsistem com o dinheiro que é retirado da mesa dos madeirenses para encher os bolsos de meia dúzia. Não há dinheiro para pagar uma peça avariada (praticamente sem funcionamento desde a entrada deste Governo Regional) da melhor e primeira Ressonância Magnética de Portugal (para obrigar os doentes adiantar dinheiro – 400/500 euros  por exame – na privada para realizar exames em equipamentos muitos deles já obsoletos para o atual estado da arte, bem como diminuir a capacidade assistencial de vários serviços, como as Análises Clínicas, para enviarem esses mesmos doentes para as privadas. Tudo isto custa um balúrdio. Quem perde? Os doentes. Contudo, estes não se queixam. Têm medo de represálias. Pergunto: Qual a represália maior de não terem acesso a um seguimento em saúde adequado e que, muitas vezes, vos é negado e que vos poderia salvar/prolongar a vida (muitas vezes)? A represália é superior ao bem maior que é a vida? Mas qual represália?

Nem discorro muito sobre aqueles colegas que vêm ao hospital angariar clientes para o seu serviço privado. Colocam doentes durante vários dias sem serem vistos ou operados para que, no limite do desespero, arranjem uma grande dívida para resolverem o seu grande problema no serviço privado. Ou então, se identificam alguém com um bom seguro de saúde (estrangeiros de preferência) é, quase imediatamente, encaminhado para fora do Serviço Regional de Saúde (alguns com exames realizados internamente no hospital e cobrados lá fora? Recurso a procedimentos clínicos não necessários ao estado clínico do doente para engrossar a fatura?).

Perante isto, muitos madeirenses assistem impávidos e serenos a tudo isto julgando que tudo isto não irá afetá-los?  

Abram o olho porque muitos dos vossos familiares já morreram por falta de acesso/seguimento adequados; para vós, aqueles que não são ricos ou parasitas do sistema, tudo isto será bem pior!

Nós não vivemos como há 50 anos porque a medicina evolui e porque descontamos cada vez mais (aqueles que trabalham e que não fogem aos impostos). Por isso, informo que, comparativamente ao continente português, a Saúde na Madeira está num estado calamitoso (principalmente quando me refiro à Oncologia, Ortopedia,…) porque eles fazem o que querem porque os madeirenses não se manifestam e contentam-se com Show Off de cheques de 400 euros – uma garrafa de vinho para essa gente. Desta forma, afirmo que, ao invés de gozarem com os Coletes Amarelos, manifestem-se porque, mais cedo ou mais tarde, sentirão na pele o que é querer viver e não poder porque alguém diz que esse tratamento (indicado e disponível para qualquer português) é muito caro para si, ou melhor, não está indicado (apesar de vários colegas do continente português dizerem o contrário).

Teria muito mais para escrever. Deixarei para a próxima semana!

Passem bem. Pensem nas vossas vidas e das pessoas que têm ao vosso encargo (adultos e crianças).  

Desejo de Bom Ano de 2019 para todos vós!

Rafael Macedo
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