Macacos de imitação

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Enviado por Denúncia Anónima
Segunda-feira, 17 de Setembro de 2018 09:37
Texto e título do autor. Ilustração CM.

Porque nesta terra ninguém tem ideias apropriadas para a nossa realidade temos visto a importação de lógicas sem lógica nenhuma. Eu tanto ando de carro como a pé, é conforme a situação mais adequada. A vida tem disto, adequamos os meios, se preciso de levar alguém urgente ao hospital não vou a pé nem de bicicleta, vou de carro ou chamo a ambulância, é preciso ter vias e havendo que estejam desempedidas o suficiente porque o carro vai à emergência, de preferência, sem estruturas fixas de esplanadas.

O Funchal é uma cidade com uma baixa chã numa área pequena e que logo a seguir começa a ter declives, atravancada por natureza com ruas estreitas porque foi planificada há alguns séculos atrás e condicionada pelos cursos naturais das ribeiras. Surgiram pessoas no passado que lhe tentaram mudar a feição, com a rua Fernão de Ornelas e depois com a rotunda das Minas Gerais e a Av. do Infante. Por essa altura a ideia era dimensionar para poder albergar o presente e o futuro do movimento citadino.

Depois veio a era da poluição, da concentração de gases nas cidades, da excessiva motorização por combustão, havia que devolver a cidade aos cidadãos e não permitir que desertificassem. Os preços na baixa para arrendar ou comprar (Funchal) dispararam, novas centralidades foram criadas a preços mais viáveis, as pessoas acompanharam com a habitação e novos hábitos, o centro do Funchal foi perdendo importância. Há gente que raramente vem à cidade.

Para nós que vimos mesmo ao centro da cidade para trabalhar ou pôr os "piquenos" à escola sabemos, tanto ou mais do que os outros condutores, de como é a nossa cidade para circular. Atravancada! Basta uma rua condicionada ou fechada e tudo se torna muito moroso e os carros acumulam. Isto acontece porque à medida que vão fechando e estreitando ruas na cidade vão sobrecarregando as restantes que não conseguem vazar trânsito. Nas horas de ponta ou como nas de hoje que nos dão a clara sensação do antes e depois, de um dia sem aulas e de outro com aulas, percebemos que a mania de copiar a solução dos outros não se adequa à nossa realidade.

Ora tudo isto o que faz é desertificar a cidade tornando-a um bibelot sem utilidade, uma cidade para turistas com esplanadas a preço de turistas e que em muitos casos odeiam os madeirenses. O Funchal fica desertificado na noite mas a caminho de se desertificar de dia, quando o comércio achar que tem demasiadas condicionantes para poder trabalhar, tiver custos acrescidos ou as pessoas atrás do comércio não virem à cidade. As escolas vão mantendo a animação, hoje isso é claro.

À medida que vão passando os Presidentes de Câmara todos querem esticar um pouco mais esta solução pedonal para deixar a sua marca e eu, sendo de caminhadas e de andar, acho um exagero. A nossa cidade é pequena, é atrofiada por poucas soluções viárias para corresponder às necessidades das pessoas. Nem tudo se faz a pé, nem tudo vaza a uma velocidade consentânea com as necessidades. Nas proximidades das escolas isso é claro porque em pouco tempo há uma afluência grande e instala-se o caos.

Não somos Londres, Paris ou Nova Iorque, somos Funchal e para dar vazão à vivência na cidade é preciso a justa medida da rede viária e das áreas pedonais. Está-se a criar um Inferno e está-se a aborrecer as pessoas de virem ao Funchal. Quantos já têm essa alergia? Como se quer uma cidade viva aborrecendo-as? No Inverno corre-se, socorre-se das lojas para pular aqui e ali até chegar ao destino? Se calhar entramos no Metro e fica resolvido!

Quando acontece a abertura das escolas, todos vão esperando, chegam tarde e resignam-se mas nós que já tivemos um grande incêndio nesta cidade, onde choviam labaredas, quero saber, se a cena se repete, como vão vazar as pessoas numa emergência, de água ou de fogo? Lembram-se de como no incêndio, tudo entalou? Será num momento de emergência que finalmente vão cair em si, que tal olhar para a rua de Santa Maria e pensar numa emergência? Entretanto vamos olhando uns para os outros pensando que isto não está certo mas a se resignar porque até parece mal dizer verdades. Temos uma cidade que manda andar a pé mas corta as árvores.

Não temos baixa nem orografia para fechar tantas ruas, quando acordarem a cidade não funciona nem apetece lá ir e vai se desertificar cada vez mais. Uma cidade para turista tomar café na esplanada mas não a capital, centro da Região.

O Park & Ride falhou, as ciclovias falharam e puxar o cinto para andar a pé também porque a nossa realidade é diferente e temos uns governantes que copiam mal, até porque a solução pedonal afinal é para a "esplanadização" da cidade.

Um pai que acaba de deixar o filho numa escola na cidade sem soluções viárias e pontes fechadas.
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