Certificado de ilha suja

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Ninguém se admira com o título pois não? Está tudo ligado. A educação, o respeito pelo espaço público, a qualidade dos governantes que vêm sendo eleitos, o facto de haver muitos líderes e poucos funcionários. Falta ideias e liderança porque se emprega gente comum e porque alguns gozam as viagens mas nada aprendem nem trazem ideias.

A comparação não ocorre entre nós e os outros para arrebitarmos caminho, a vergonha não se sente. Há muito jogo do empurra, de comodismo que gera lixo porque não cai no caixote ou caixotes cheios por falta de frequência na recolha. Há muita terra de ninguém por aí, fruto de uma era louca de construção a qualquer preço e modo, a nossa universidade é um belo exemplo, entre outros.

É no Funchal e pela ilha, certamente pelo Funchal com uma vereadora que se fosse profissional como consegue ser na intriga estávamos bem. Certamente com uma secretária Prada que faz muito folclore com a sua figurinha pela serra mas, na verdade, é um elemento que entrou num governo sem qualquer preparação política nem capacidade de liderança das equipas, o mesmo que enferma a vereadora.

A Madeira construiu muito e gosta de adjudicar novo, pouco se mantém ou não há preocupação para isso. Por vezes os materiais de fraca qualidade encurtam o tempo útil de vida e até que sejam substituídos contribuem para milhares de fotos mal impressionadas. Investimos mal e demais no que não importa e o turismo não aprecia. O turismo vem para ser impressionado pela beleza, natureza, limpeza, pela educação num lugar idílico que humaniza e é catalogado como o melhor destino do mundo. Engalanamos, a vaidade matou-nos porque deixamos de ouvir. Quando se ganha fácil ficamos convencidos do que não somos. Uma medalha é um circulo de metal, não toda a verdade.

O nosso clima está a mudar, precisamos de arborizar e adequar as espécies. Temos que regar, acto de respeitar as plantas, ao contrário da teoria do Funchal, onde até se entrega medalhas de verdes e floridos mas parece que a própria autarquia nunca mais ganhou.

A qualidade do nosso turismo desceu, assim como o zelo pela identidade da Madeira nos "souvenir" e nos nossos ex-libris. Muitas vezes abalroados pelo comércio, pelos aterros e pelos estaleiros, pelos tapumes e obras sem fim. Não temos a preciosidade e a minúcia dos jardins de outros tempos, em centralidades, na cidade, nas vias estruturantes da ilha, nas bermas das estradas pela serra. Agora são todos doutores e engenheiros e não há ninguém para se dedicar ao belo, nem oportunidade se dá aos artífices da beleza da Madeira. O tachismo não deixa espaço para quem trabalha no asseio e na beleza ao rigor dos elementos. Há luta por um lugar no ar condicionado e a barca leva um a remar com dezenas a dar ordens.

Uma palavra pela coragem das guias. O rei vai nu.

Deixo-vos com a leitura dos recortes do artigo de Ricardo Miguel Oliveira no Diário de Notícias de hoje.
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